Breve História da Musicoterapia

Musicoterapeuta tocando harpa para uma mulher deitada em uma cama hospitalar com os olhos fechados

O uso da música com fins terapêuticos não é uma prática recente. Há mais de 50.000 anos, o Homo sapiens já utilizava a música em rituais de cura. Da antiga China ao Egito, da Índia à Grécia Antiga, encontramos registros que refletem a crença de que a música possuía uma força fundamental capaz de elevar ou deprimir profundamente a alma humana. Essa associação foi estabelecida porque, após esses “rituais musicais”, pessoas doentes frequentemente recuperavam sua saúde.

Musicoterapia na China Antiga

Na China Antiga, o imperador Shi Shun supervisionava seu império para garantir que os cinco tons da escala musical chinesa estivessem corretos e que o povo os utilizasse em suas canções folclóricas. Acreditava-se que o tipo de música produzido em uma cidade poderia moldar o caráter das pessoas, tornando-as mais agressivas, pacíficas, românticas ou dotadas de outras características.

No último ano, alguns musicoterapeutas e eu divulgamos nas redes sociais o slogan “musicoterapia somente com musicoterapeutas”. Gostaria de deixar claro que não desvalorizamos o trabalho de outros profissionais que utilizam música na área da saúde, mas ressaltamos que, para uma prática segura de musicoterapia, é necessário um profissional qualificado que compreenda profundamente o que está fazendo.

Afinal, quando vamos ao dentista, esperamos ser atendidos por um profissional especializado, e não apenas por um auxiliar.

Musicoterapia no Egito Antigo

No Egito Antigo, o canto desempenhava um papel central. De acordo com os ensinamentos de Ani, o canto era considerado o alimento dos deuses e estava presente nos palácios dos faraós. Há indícios de que o médico Imhotep utilizava a música, por volta de 3000 a.C., para aumentar a fertilidade feminina e auxiliar durante a gestação.

Na Bíblia cristã, há relatos de que Davi tocava harpa para acalmar o rei Saul e aliviar seu estado emocional.

Na Grécia Antiga, o filósofo Aristóteles reconhecia a existência de relações intervalares no cosmos que correspondiam a determinados padrões de comportamento e traços de personalidade. Ele utilizava a música no tratamento de pessoas com sofrimento psíquico e acreditava que a música não apenas possuía efeitos terapêuticos, mas também influenciava o comportamento moral. Aristóteles classificou esses efeitos em quatro tipos de “música ética”.

O rei Alexandre, o Grande, também recorria à música da lira para restaurar seu equilíbrio mental.

Musicoterapia na Idade Média

Durante a Idade Média, o canto desempenhou um papel decisivo. A música era vista como um meio capaz de aproximar ou afastar o ser humano de Deus. São Bernardo de Claraval orientava os monges a cantar de forma suave para tocar os corações e aliviar o sofrimento e a ira das pessoas.

Alguns médicos da época contratavam menestréis para tocar para os pacientes, com o objetivo de acelerar o processo de recuperação.

No final da Idade Média, o primeiro hospital psiquiátrico do mundo, fundado em 1409, passou a utilizar a música no tratamento de doenças mentais e do tarantismo.

Musicoterapia na Era Moderna

Na era moderna, a interação entre música e medicina se intensificou significativamente a partir do século XIX. A música passou a ser considerada um poderoso estímulo para o corpo e para as emoções humanas. Organizações como a “National Society for Musical Therapeutics” foram fundadas, e profissionais da saúde, como a enfermeira Isa Maud Ilsen, começaram a empregar a música no tratamento de doenças físicas e mentais.

A história da musicoterapia continua em constante desenvolvimento e, atualmente, cursos superiores em musicoterapia são oferecidos em universidades de diversos países.

Na contemporaneidade, essa interação entre música e medicina manteve seu crescimento. A música segue sendo compreendida como um estímulo potente para o corpo e as emoções humanas, e a musicoterapia se consolida como campo científico e profissional, com formação acadêmica estruturada e reconhecimento internacional.

Referência Bibliográfica

ABNT

APA (7ª edição)

Vancouver (estilo numérico)

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